segunda-feira, 7 de abril de 2008

A semana que se passou foi basicamente uma recuperação de Praga, foi uma semana calma, apesar de logo na 2ªf ter ido para o Parlament a noite toda (para variar ahahahah)!

A agitação da semana passou pelo jogo de futsal que toda a comunidade portuguesa se reuniu para ir ver ao Estádio de Ljubljana, na 4ªf à noite. Claro está que quem jogava era a nossa saudosa selecção nacional contra a Eslovénia, para o apuramento do campeonato mundial de futsal. Foi altura de reunir os cachecóis, fazer cartazes, que versavam sobre as saudades da praia ou da Super Bock (na minha opinião faltou um sobre os Pastéis de Belém, mas tudo bem), e afinar as gargantas para gritar “PORTUGAL ALLEZ” ou “E ESTA MERDA É TODA NOSSA ALLEZ ALLEZ”…Sabe tão bem ser português nestas bandas! Ahahahahah! Mas pormenores aparte o importante é que ganhamos 6-1, num jogo completamente desigual porque a selecção eslovena é mesmo muito fraquinha! Acho que depois do jogo a maior parte dos portugueses se encontrou com os jogadores da selecção e fizeram um tour nocturno pelas maravilhosas discos da Eslovénia, sendo que filmes como um jogador português a comer uma eslovena horrorosa aconteceram de facto… Cada vez mais acredito que tudo nesta terra pode acontecer!

Na 5ªf foi dia de festa no Companeros (outro bar no centro de Ljubljana) onde a principal atracção são, como sempre, os shots de Tequila à borla a que temos direito (e, como tal, pelos quais reivindicamos, ahahahah)! Nada como, depois desses shots, ir comer um Kebap para aconchegar o estômago e ir fazer parvoíces em cima de estátuas, ofendendo com tais atitudes símbolos nacionais tão queridos por estas terras! Claro que noite que é noite tem de acabar em Metelkova, misturados no meio da molhada de freaks, punks e outros que tais pseudo-alternativos que por ali vagueiam, é sempre bom! Há sempre um erasmus em cada esquina, há sempre alguém bêbado ou mocado o suficiente para ter disposição para ter conversas interessantes sobre a cerveja na Eslovénia ou o futebol em Portugal! Agora brincadeiras aparte, que hoje estou especialmente irónica, é sempre fantástico acabar a noite em Metelkova que é como vos disse um dos poucos sítios “alternativos” que temos ao nosso dispor para fugir à praga de Shakiras e Bob Sinclairs, por isso, é obvio que, mesmo parte disto sendo verdade, adoro ir para lá e vale a pena a todos os que cá venham dar uma espreitadela!

Passando para 6ªf, acordei a sentir-me meio doente, por isso, o dia acabou por se resumir a ir almoçar ao centro e a uma voltinha saloia pela praça do Preseren, perto do rio. Á noite tínhamos um jantar, organizado por mim, onde estiveram 30 erasmus e amigos, e amigos dos amigos, noutro restaurante do centro. Foi bom estarmos todos reunidos e fiquei satisfeita por ter conseguido com o meu pequeno génio de Relações Públicas, tal e qual como Maya esse grande ícone dos RP´s (ou Mafalda Eiró, quiçá), reunir um grupo tão grande e interessante de alminhas! Só foi pena não ter conseguido ser RP e fotógrafa ao mesmo tempo pelo que as fotos deste jantar são escassas! Depois do jantar ainda houve tempo para ir a um bar chamado Salon bastante interessante, outro espaço alternativo, que faz lembrar o Lux pela decoração e pela música.


Depois de 4h de sono totalmente insuficientes às 6h30 o despertador tocava para me lembrar que mais um dia em cheio se avizinhava! Sábado era dia de mais uma das viagens organizadas pelo SAU, desta feita a Karst, uma região do sul da Eslovénia perto da fronteira com Trieste. Partimos de Ljubljana às 8h e às 10h da manhã estávamos prontos a começar a nossa visita pelas Skocjan Caves, grutas indescritíveis pela beleza e pelos séculos que imaginamos terem passado dentro delas. A beleza destas grutas valeu-lhes a distinção de Património Mundial da UNESCO, dentro delas encontramos duas partes: as Silent Caves e Murmurs Caves, onde o Rio Reka irrompe naturalmente as grutas, criando um rio interior e algumas quedas de água. Foi uma visita mesmo muito interessante e valeu pela beleza e contacto com a natureza que proporcionou. Vivemos tão obcecados com o tempo, stressados todos os dias e naquele sitio 100 anos não são nada, cada gota de água ajuda à formação de estalagmite que demora cerca de 100/150 anos para crescer 1milimetro! As fotos das grutas são escassas porque não eram permitidas no seu interior...é uma pena a sério, gostava de poder partilhar convosco a beleza daquele sitio!


Depois da visita destas grutas dirigimo-nos a Lipica (lê-se “lipitsa”), uma cidade desta região onde pudemos encontrar os famosos cavalos da Eslovénia, Lipican. Apesar de poder parecerta quinta está sob a protecção do estado da Eslovénia por ser uma das principais a preservar esta espécie tão rara de cavalos, e é composta pela quinta itself, uma escola de equitação e um pequeno museu. Os cavalos Lipican são, tal como nos disse o guia que parecia completamente louco mas ao mesmo tempo apaixonado pelo trabalho que ali faz, um milagre genético. Nasceram do cruzamento de diferentes raças de cavalos e ocorre neles um fenómeno estranho que faz com que nasçam pretos ou castanhos e depois cresçam e mudem totalmente a cor do pêlo, ficando brancos. Enfim, nada de especial para a maioria mais uma vez, mas para mim foi uma paixão esta parte da viagem, especialmente porque pudemos estar em contacto directo com eles e dar-lhes de comer!!! (eheheheh) estúpido, “Ok, que giro ver cavalos”, toda a gente sabe como sou com animais por isso delirei com a visita que fizemos a uma quinta. Es


Depois de sairmos da quinta fizemos uma viagem de cerca de 1h para ir a um restaurante típico da região, no alto de uma colina, no meio do nada, mas onde de repente me senti como numa tasca típica no Alentejo, com bancos e mesas de madeira e empregados com um sorriso na cara. A comida era típica, caseira, claro está, e a sobremesa encheu a barriga de gulodice e fez lembrar os doces de Natal portugueses. Foi um bom almoço e valeu a pena quase morrermos para subir com aqueles autocarros gigantes caminhos de cabra e de gravilha para lá chegar (ahahah)!

Já ao final da tarde foi altura de irmos até Stanjel, uma Vila Medieval onde visitamos a Igreja, casas típicas da altura medieval, o Castelo, um jardim lindíssimo e um Museu Medieval. Não sei se estou a cometer uma gralha histórica mas quando lá cheguei só me lembrava de Monsaraz e das semelhanças que esta vila tinha com essa vila portuguesa. Valeu a pena esta viagem que nos possibilitou, para além de conhecer esta região do país, mais um momento de convívio entre todos os erasmus, mesmo com apenas 4h de sono e um cansaço incrível.

No entanto, como erasmus é erasmus cheguei às 22h a Ljubljana e fui directa para mais uma festa, desta feita num dormitório nos subúrbios da cidade. Festa é festa e aqui há sempre aquele sentimento de que podemos descansar depois!

Domingo foi dia de dormir até o corpo não aguentar mais a cama e de almoçar no centro, seguido de um belo Cokolada Kava (café de chocolate) na Svezda a pastelaria mais maravilhosa de Ljubljana! Uma perdição em todos os sentidos, inimigo n.º1 de qualquer dieta ou tentativa de emagrecimento!

Agora é hora de parar e voltar à realidade por umas horas, tenho um trabalho para fazer e textos para ler para 3ªf. Nem tudo são rosas nesta vida dura de erasmus (ironia)! Adoro fazer didascálias e adoro escrever, mas agora é hora de salvar isto (para amanhã postar, sim não se esqueçam que não tenho Internet) e partir para o trabalho ao som de Elvis, oxalá me inspire porque a vontade não é muita!

Antes de ir só há mais uma novidade que tenho que acrescentar a este testamento: no fim de Abril, mesmo antes de partir para a Balcan Trip, vou ter o privilégio de receber em minha humilde cidade de erasmus (momento brasileiro do post) Marta Neves, Mariana Monte, Carla Soeima, Ana Snow (ahahah) e Sara que vêm até cá passar uns diazinhos, mal posso esperar!!!

Desta feita é que termino mesmo, espero que estejam todos bem, mais uma vez a saudade aperta! Beijos, abraços e muitos palhaços a todos! Na svidenje (para quem não sabe o que quer dizer há sempre pesquisas possíveis em qualquer um dos dicionários online, “proque” é sempre bom rentabilizar os recursos que temos ao nosso dispor)!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Praga é Amor!

Depois de três dias em Praga acho que esta expressão resume tudo! Praga é amor mesmo! Acho que sobretudo porque não é daquelas cidades que têm um centro lindíssimo e depois tudo o resto começa a ser cidade, cidade, cidade! Não em Praga andamos no centro e tudo é estonteante, afastamo-nos do centro e ainda assim continuamos a encontrar edifícios lindíssimos, jardins lindíssimos, espaços lindíssimos, enfim é indescritível. Para além de se respirar História, Política e Cultura em cada esquina é uma cidade super romântica, ideal, na minha opinião, para visitar com um namorado!

Mas começando em mais detalhe com um diário de bordo, saímos de Ljubljana em direcção a Praga na 5ªf à noite. Éramos 80 alunos erasmus, divididos em dois autocarros que fizeram esta viagem de 12 horas, sempre com música, álcool e animação. É óbvio que ninguém dormiu convenientemente. Atrás de mim no autocarro, tinha um espanhol e um turco que bebiam shots de whisky e comiam chocolate Milka por isso podem perceber como é que esta gente funciona quando viaja. Para mim a viagem foi uma risota como sempre, na conversa e rodeado com amigos alemães, espanhóis, franceses e ingleses. E a única oportunidade em que consegui dormir foi no final da noite, quando o cansaço já vencia a maioria, mas apenas por uma hora e meia porque sinceramente dormir em autocarros não é para mim, zero conforto, zero em termos de uma posição propicia a tal exercício!

Chegamos a Praga na 6ªf de manhã, por volta das 9h, e as visitas começaram nesse exacto momento. Vimos o Museu Nacional no seguimento da avenida principal de Praga, depois embrenhámo-nos no centro da cidade onde vimos o Teatro mais antigo e famoso de Praga, a Stone Bell House, a Charles Bridge (maravilhosa, onde um quarteto composto por idosos, um deles numa cadeira de rodas, tocava jazz e onde pintores vendiam frescos que reproduziam partes turísticas da cidade) e o Lorreto de Praga. A meio da tarde era hora de ir até ao Hostel (que ficava a cerca de 20 minutos do centro), instalarmo-nos nos quartos e ter um descanso merecido antes da noite que se avizinhava. Depois de um banho e de 2 horinhas de sono era hora de acordar de novo para um jantar tipicamente Checo, num restaurante no centro. A comida era boa e provei uma coisa típica que não me recordo o nome (o que acho que é obviamente aceitável eheheh) mas que é uma espécie de pão que serve de acompanhamento, mas as doses não eram nada de especial e ainda pagamos um bocado! Enfim, depois do jantar íamos supostamente para uma discoteca onde estava a haver uma festa porreira mas a nossa “guia” (que não era guia coisíssima nenhuma, mas apenas uma aluna erasmus checa que esteve em Ljubljana no 1º semestre) embebedou-se no jantar e consegui com que nos perdêssemos e andássemos às voltas na cidade. Como a maioria estava cansada, depois deste episodio decidiram todos ir para o Hotel descansar para poder aproveitar melhor o dia seguinte, mas eu, a Catarina, outro português, a Vanessa da Bélgica, a Bea e um outro amigo alemão decidimos não baixar as armas e continuamos a explorar a cidade pela noite a dentro. Valeu a pena foi um bocado bem passado que ainda acabou com a peripécia que foi encontrar o eléctrico correcto que nos levava de volta para o Hostel!

Ora chegados ao Hostel conseguimos ter 2h/3h de sono e era novamente hora de acordar para continuar a visita da cidade, desta vez na West Part de Praga. Começamos por ver um estádio, que os guias turísticos anunciam como sendo o maior da Europa mas que eu duvido porque parte das bancadas estavam destruídas e porque parecia que uma guerra por ali tinha passado! A seguir à visita ao estádio (para fazer o gosto à facção masculina dos erasmus), seguimos em direcção ao Castelo de Praga. A típica foto com os guardas do Castelo não podia faltar e a visita à Catedral de St Vitus também não, maravilhosa do período gótico, com vitrais por dentro, enfim valeu a pena.

Depois disto, acabamos por nos separar em grupos mais pequenos. O meu grupo composto basicamente por portugueses, uma belga, uma dinamarquesa, o nosso british James e a Bea decidiu continuar a visitar o espaço envolvente do Castelo que possibilita uma vista estonteante de toda a cidade, depois descer até ao centro para almoçar num restaurante Subway e depois visitar o Museu do Comunismo! Assim foi, o museu valeu a pena, é um retrato fiel do que foi o período socialista na Checa que, no fundo, explica parte do que o país é hoje! Vale mesmo a pena os 5€ da entrada. Ficou apenas a faltar a visita que queríamos ter feito ao Jewish Quarter, com as suas sinagogas e as marcas de Kafka em todo o lado! O tempo ameaçava chuva, o cansaço vencia a maioria. Foi comprar uns souvenirs e seguir para o Hostels porque outra noite se avizinhava, e está sim elevava as expectativas porque no dia anterior 80% das pessoas tinham descansado.

Depois de uma sestazinha e de um banho merecido, era altura de ir a um restaurante mesmo ao lado do Hostels, mas desta feita um jantar livre em que fomos um grupo de apenas 20 e poucas pessoas, todos amigos. Era uma pizzaria e como em Roma sê Romano jantamos pizza e bebemos a típica cerveja checa (uma boa porcaria mas tudo bem). Depois do jantar voltamos ao Hostels onde havia litros e litros de álcool prontos a ser consumidos (eheheheheh), onde havia gentes loucas a beber Absinto, Whisky e outros que tais, Rita e suas companheiras de quarto ficavam-se pelos jogos de embebedanço com vinho e sprite (muito mais à tuga convenhamos)!

A noite acabou com quase todos reunidos na maior discoteca da Europa Central, cujo nome não me recordo (mais uma vez é compreensível). Uma discoteca com 5 pisos, cada um com um estilo de música diferente e onde nos divertimos à grande e à francesa. Depois de 3 horas de sono era hora de acordar e tomar um pequeno-almoço reforçado, arrumar tudo e rumar para o autocarro que nos levaria de novo para Ljubljana. Antes da partida, ainda houve tempo para pararmos num enorme zona comercial com lojas e restaurantes onde podíamos fazer umas ultimas compras e almoçar. Depois de almoço seguimos viagem até Casa (sim porque o mais engraçado é que quando chego a Ljubljana depois de uma viagem sinto sempre esta sensação de voltar a casa, home sweet home)! O autocarro já ia mais calmo, afinal de contas foram dias e noites loucas para a maioria, mas ainda assim acho que quase ninguém conseguiu dormir (eu pelo menos, mais uma vez, não consegui), foi tempo para mais conversa, risada, companheirismo e partilha.

Para trás ficava uma cidade que vale mesmo a pena ser visitada, à qual fico com vontade de voltar para explorar o muito que ficou por explorar. Acho que a única coisa negativa que fica desta viagem é o gosto que os checos demonstram em querer lixar à bruta e sem escrúpulos todos os turistas, seja em lojas enquanto fazem trocos e nos tentam enganar ou nos dão dinheiro húngaro ou eslovaco, seja nas pseudo-lojas de câmbio (onde os números de cambio do Banco Europeu não interessam para nada). Felizmente, no meu caso nada de mal nesse sentido aconteceu, a única coisa que perdi foi um casaco de linho na discoteca mas por culpa minha, mas sei de inúmeras historias de amigos que foram verdadeiramente “assaltados à mão armada” por estes comerciantezinhos! Por isso, atenção se algum de vocês que está a ler isto lá decidir ir, em Praga o lema é ter sempre um olho no burro e outro no cigano (lol).

Aqui ficam agora algumas das fotos desta viagem, espero que tenham gostado, pelo menos que tenha aguçado a vossa vontade de visitar Praga porque acho que vale mesmo a pena – Check the Czech!